Papo No Ar - Coluna


Falando em folclore.
O papo de hoje é em relação de uso de 2 Bastão em saidi feminino.
Antes de qualquer coisa, o que é um folclore, Folclore é uma tradição, tradição significa que tem que ter no mínimo 100 anos de tradição, levado por gerações SEM MUDANÇAS.
Primeiramente meu respeito a todos os profissionais do meio, mas quando é referência para mim, essa referência é minha terra, e quando falamos em folclore minha referência é desde Mahmoud Reda, Farida Fahmy até os ícones do folclore que eu trouxe pra cá e não foram um ou dois ou três, fora disso apenas tem respeito e espero que seja retribuído.


A verdadeira mulher Saidi ela não dança se querem saber, a participação da mulher na dança Saidi é vem do Ghawazee e Mahmoud Reda que transformou isso para o palco.
A Dança do Bastão, é uma dança Masculina e tirada do Tahtib, para colocar beleza na dança feminina foi usada a Bengala e isso vem do Baladi.
Na minha página já tem vídeos e artigos que falam sobre o Tahtib e também apresentação da diva Najwa Fouad no Saidi.
Em nossa terra, em NOSSO FOLCLORE NÃO EXISTE que a bailarina fazer papel do Homem, entrar com 2 bastão e interpretar o Tahtib.
O Saidi feminino tem seu ritmo, seu Snuj suas marcações, sua leitura e bailarina tem a obrigação de interpretar isso.
O Saidi Masculino não tem quadril, não tem Taksim e nem Snuj então habilidade de homem é seu Bastão.
Agora pode ou não pode, você pode dançar até com guarda-chuva, pode dançar com um, dois, três Bastão, pode achar bonito, mas não significa aceito.
O Folclore sim é uma tradição deve ser respeitado e mantido, e nunca é modificado e acrescentado algo que você gosta e querer que nós aplaudimos.
É simples enxergar que o tempo que a bailarina gasta fazendo malabarismo com bastão ela deixa de fazer a obrigação dela como feminino que é leitura e marcação rítmica e interpretação da música.

Resumindo, basta invenção e vamos manter a nossa origem e nossa tradição se você quer fazer parte disso.
Então no folclore egípcio o uso de dois bastões no saidi isso não existe, tem muito que a bailarina se conseguiu a perfeiçoar na leitura rítmica, nas marcações, no Snuj isso será bom demais.
Se inspiram com os nativos por favor e tentam manter pelo menos a nossa tradição.
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Edição da música.

Vamos discutir hoje um assunto de enorme importância quando falamos do uso da musica árabe no mundo do bellydance. 

A MUSICALIDADE E EDIÇÃO DAS MUSICAS:
A música árabe tem uma grande importância no mundo, tem influência da música árabe na Europa, na Espanha, no ocidente até nos instrumentos musicais.
Na época do Oum Kaltoum, Mohamed Abdel Wahab e outros dessa época, muitas das músicas levavam quase 2 horas a cada música, como Inta Omri por exemplo, mas esse tipo de música era feito para o Teatro, ao vivo e depois chegava a mídia.

As versões curtas, que foi feita especialmente para a cinema, em filmes, tinha entre 10 a 15 minutos a cada música, depois vai para a mídia e na época era fitas K7 com nome do filme.
De alguns anos surgiu novos cantores que regravaram os grandes clássicos em versões pequenas além das músicas deles da sua autoria claro, regravando uma canção antiga, a gente sabe como foi feita a edição, entrada curta, capítulos não repetidos etc.

MUNDO DE BELLYDANCE:
Confesso que podemos dizer que hoje, a música árabe está sendo totalmente desvalorizada, ou melhor esculachada total, e isso é por que a preocupação é atingir o limite do tempo permitido, o grande culpado nisso são os eventos e festivais.
Muitos cantores fizerem músicas para bellydance, como por exemplo Wael Jassar, Fadel haker e muitos outros, até aqui Tony Mouzayek regravou muitos clássicos em tempo curto, mas nem isso basta ter música feita em 6 ou 7 minutos.
Em evento, pede limite de tempo 3 ou 4 minutos, chega a bailarina decidi escolher uma música do Oum Kaltoum ou Abdel Haleem, o original tem 2 horas, regravada tem 10 min, mas você so tem 3 minutos, ai vai a edição da música e vai junto o estrago total da música.

Por falta de entender a idioma, e também a própria música, a preocupação se torna apenas no tempo, não importa a onde você está editando, cansei de ver apresentações com músicas editadas, entra primeira parte orquestrada, logo corta e entra a primeira frase cantada do primeiro capitulo e booom entra a segunda frase do terceiro capitulo e em seguida acabou.

Logo quando a gente escuta a primeira frase, e começando a cantar com a música, tomamos um choque, sabe parece onde estou, isso galera é grande desrespeito pela música árabe e seu valor.
Uma música, envolve muita coisa, envolve, orquestra, banda, poeta, cantor e uma mensagem na música, tudo isso deve ser valorizado, prestam muita atenção quando editar uma música mais ainda quando é cantada, por que a gente entenda na música, conhece e queremos ouvi la junto com sua interpretação, decidiu editar presta muita atenção na parte cantada.

Espero que os eventos valorizam isso, os festivais também, mais ainda a banca de júri em concursos, precisa avaliar a musicalidade, mas pra isso até eles precisam entender e conhecer a música.
Um texto longo, mas vale a pena perder tempo e ler a final é para valorização da arte e também a quem se envolve nisso.
Abraços.

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A importância dos Ritmos:
     Na música árabe existe uma gama enorme de ritmos, mais de 300 ritmos espalhados pelo mundo árabe, ritmos que tem origens diferentes, estilos diferentes, países, regiões etc.
Em muitas publicações minhas, eu citei a frase “ Não esquenta com o ritmo”, isso não significa que não é importância, não, mas é por simples razão que é a tema do post e para quem ele está sendo direcionado.

    Quando um assunto sobre o Tarab por exemplo, impossível que uma bailarina vai interpretar uma canção do Oum Kalthoum  ou outra, sem ter o conhecimento com a leitura rítmica, mas com a convivência podemos dizer que existe sim, mas porquê?

No Egito:

   Primeiro falamos em profissionalismo, não é a dança em nossas casas e nossos festejos.
O inicio a seu aprendizado, é a técnica, isso é chamado o básico, aprender os ritmos, aprender ouvir e memorizar, aprender a técnica de leitura de cada ritmo e também as variações de leitura.
Existe ritmos como o Baladi por exemplo, tem mais de 5 a 6 variações de leitura, e entendendo isso perfeitamente, possibilita que a bailarina variar em movimento quando o ritmo é repetido em uma canção.
São primeiras etapas a ser ensinada e leva bastante tempo até dominar a leitura rítmica e suas variações, após começa a leitura instrumental, não chegamos em uma canção ainda.

No Brasil:

O que observamos em escolas, ensinos, que a pessoa se matricula e quer sair dançando após de terceira aula, e por incentivo da professora que muitas tem 1 ano ou 2 anos da profissão, acaba sendo o verso de nós.

   Digamos começando com o Nível superior sem passar pelo primário e ginásio, você começa a aprender com a musicalidade, deixando o básico para o fim e talvez nem chegar a conhecer.
Não estou generalizando e nem criticando, mas isso vem após de muitas dúvidas de profissionais que tem mais de 10 anos no mercado e ainda se perdem na identificação dos ritmos em uma canção, e também de vários workshops internacionais e você enxerga a falta de marcar os duns por exemplo.
Conhecer, ouvir, ler os ritmos é fundamental quando falamos em dança do ventre e creio em qualquer dança, são a base, é a técnica.

  Não existe uma canção sem percussão e ritmos, num Tarab pode encontrar o ritmo Saidi, que é folclore, não significa que sai dançando saidi, não, mas para que serve? Isso é um dos pontos ensinados em leitura rítmica.
O Percussionista tem uma função importante, você encontra em solo, mas também em orquestra, isso significa que a presença rítmica existe em todos momentos, mas também não podemos esquecer que ele é musico e não é professor de dança, ele acompanha, toca e não ensinar interpretar.
Conhecem os Ritmos, as técnicas, a base e as variações, e assim quando chegar para um clássico ou tarab, ai sim não se esquenta com ritmos, por que será dominado e sai automaticamente sem você perceber.

Não abandonam os ritmos, conhecem a cada um, suas origens, ouçam, leiam, aprendam as variações de leitura que alguns ritmos tem, isso é fundamental para uma interpretação perfeita. 

Abraços!!
Khaled Emam 


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A DANÇA DO VENTRE...dos tempos nobres aos tempos Podres.

       Este artigo vem após de uma conversa com uma bailarina internacional Marroquina amiga minha que vive na Espanha, ela foi convidada para uma entrevista artística e discutiu esse assunto, achei interessante escrever algo sobre.
Os tempos:

Querendo ou não, mas a dança do ventre tem uma história, Tempos, mudanças, Personagens, para vocês entender o que quero dizer, deixa aqui uma pergunta e após o texto você a quem escolha a sua resposta, a pergunta é, QUEM FICA?
Será que a tecnologia e a modernidade realmente ao nosso favor? Nem sempre.
O que fez com que a gente perder a coisa mais bonita que temos, que é SENTIR e também o caráter? A evolução, a modernidade contribuiu muito com isso sim.

- Nos tempos NOBRES, a dança era arte, responsabilidade, encontro entre artistas (músicos, poetas, compositores e bailarinas), muitos ensaios até chega o final de uma única apresentação, o resultado é público apreciando e alimentando sei gosto.

-  Nos tempos NOBRES, a gente assistia a bailarina no teatro, no cinema ou em hotéis de 5 estrelas, as damas vestidas de gala e os homens também, quando sair da sua casa sentia nobre, indo assistir arte que te faz voltar a sua casa dizer valeu a pena.

- Nos tempos NOBRES, o sonho da bailarina é ser diferente da outra, fazer seu próprio estilo para poder fazer a sua história, ter suas fãs e isso era o sucesso.
Os tempos mudam, nasci mudanças e tecnologias, o sentido também muda com as mudanças, a preocupação não é mais apresentar arte, mas produzir e quando é produção a espera é financeira, comercio.
Os tempos mudam, o teatro morre, a cinema morre e também o encontro entre artistas, e nasci os CLIPS que lucram com os acessos, Festivais que lucram com troca de interesses, canais do youtube e o olhar de quem produz se foca apenas no retorno, que agrada a garotada, seja na mídia ou cinema, não importa se é bailarina, mas sim importa ser provocante, chamativa assim atrai e ter sucesso.

- NOS TEMPOS PODRES, vou colocar como referência a terra de dança do ventre EGITO.
  A mãe sempre é fonte de inspiração, e falando de dança Egito é a mãe, cria e exporta, normal e como a Fifi Abdo disse uma vez, nós criamos e o ocidente copia e isso é verdade, no tempo de hoje a tecnologia ajudou muito em perder o verdadeiro sentido da arte, a preocupação é outra, fazer fama e fazer dinheiro e tudo que é novo atrai, todos querem ser modernos.
O que era para nós Putaria, graças a mídia virou arte, hoje é muito comum ver mulheres dançando no palco de calcinha e coloca o título do shaabi, quanto mais acesso da internet, mais contratadas especialmente nos casamentos dos bairros populares e claro não porque são bailarinas, e antes existiam claro, mas não eram vistas como a facilidade de hoje, quem não conhece essa realidade, pensa que é arte, a final está na mídia.

Mas a grande certeza que o verdadeiro arte nunca morre, existe milhões de bailarinas no mundo inteiro, 90% você não sabe quem é, mas o tempo NOBRE resiste e vive mesmo que a personagens não existe mais e por simples razão, Era Arte, Todos ainda conhecem Samia Gamal, Taheya Carioca, Najwa Fouad, Suher Zaki e muitas da época, Porque vivem até hoje?
Claro não podemos viver no passado, mas podemos sim preservar a história, o sentido, podemos sim continuar valorizando o som de um violino, palavra de um poeta.

“Nunca é seu lindo traje, sua bela maquiagem, seu corpo malhado diz que é uma artista, talvez faça sucesso hoje, mas amanhã será esquecida, por que vai surgir a mais bonita, o mais sexy, a mais glamorosa, que também será esquecida, por que no fim, todos são iguais”. 

Agora volto a minha pergunta QUEM FICA? O caminho é seu.
Abraços!!
Khaled Emam
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A Importância da escolha da musica  


           No tempo que a grande preocupação se fecha em escolher um lindo traje, uma bela maquiagem, fuja a preocupação da importância de escolher a música certa.
O que a bailarina interpreta, simplesmente é uma música.
Muito comum hoje em dia, a música é vista por último, e quando é escolhida é por caminhos que todos nós conhecemos, procurar em sua biblioteca ou pedi uma de alguém, não tem preocupação com a musicalidade, mesmo que isso é a parte mais importante em sua apresentação.
    
      A preocupação é marcar presença, os 4 ou 5 minutos no palco, para muitos as sequências são mesmas, assim que ensina, entrada, marcar ritmos, finalize, e esquecendo que estes minutos podem ser uma ponte do seu sucesso, esquecendo que são vistos por muitos e é seu momento.
Por que importante conhecer a música?
Imagina você entrou numa livraria, achou um livro de capa bonita, mas escrito por um idioma que você não conhece, você comprou o livro sem entender seu conteúdo, mas sabe o nome do livro e talvez ideia sobre gênero.
Você teria condição de discutir o assunto livro com alguém? Com certeza que não.
Você vai ter certeza que fez a compra certa, e este livro faz o seu estilo de leitura? Com certeza que não.

      A música para bailarina tem a mesma importância, precisa entender la, precisa saber se faz seu estilo, precisa estudar la, sentir ela, para poder interpretar la.
Investimentos:
Muitos investem em seu traje, acessórios, maquiagem, para estar linda no palco, claro isso é fundamental, mas poucos investem para entender, o que e como faria nestes 5 minutos que estará com seu traje e sua maquiagem no palco.

     O resultado é como discutir este livro que você não leu, com alguém que já leu.
É muito importante conhecer a música sim, entender ela, saber que faz seu estilo, estudar o significado para poder expressar o sentido.
Você pode dançar sem traje, sem maquiagem, mas sem música nunca.

Até mais.
Khaled Emam

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Papo Folclore
      A tempo foi escrito artigo sobre o Street Shaabi ou Shaabi Mahraganat, foi postado na página e no site, muitas perguntam se o street shaabi é considerado folclore.
Normal que o folclore árabe, mais ainda o folclore egípcio gira muitas dúvidas, é um universo grande, até para nós, imagina para o ocidente que a maior parte do seu conhecimento baseado em pesquisas e informações distorcidas.
    
    Muita coisa envolvida em uma palavra só “Folclore”, envolvido tradição, costumes, hábitos, musicalidades e até ritmos.
Mas como o assunto aqui é estas dúvidas em relação do street shaabi, vamos focar neste assunto.
Essa não é uma opinião pessoal, é baseado pela academia da música, mistério da cultura e federação internacional do folclore.

     Primeiro vamos esquecer o que rola em festivais, eventos, concursos essas coisas, que são realizadas apenas no ocidente, o foco é nossa cultura.
“Street Shaabi ou Shaabi Mahraganat, NÃO considerado folclore egípcio”.

    É uma modalidade recente, sem base rítmica como todos sabem, sem tradição, não pertence certa região especifica.
O assunto do shaabi é bem longo, e nem todo shaabi é folclore, a problema que no ocidente classifica apenas um estilo, sem entender as diferenças, as épocas.
O que defina o estilo, não é a dança, mas a música, na época do shaabi clássico por exemplo, muitas das músicas não é folclore e exige o uso de traje clássico, e isso foi interpretado muitas vezes no cinema.

    Normal que o ocidente a companhia as novidades através da mídia, as músicas mais tocadas, os cantores do sucesso, através disso, vem os estudos, os Works, as pesquisas, mas isso também deixa uma confusão na mente de todos porque você acaba conhecendo apenas uma pequena parte de um universo grande.
Porque quando falamos em shaabi, a primeira coisa que vem na mente de vocês é usar Galabeya? Enquanto não é regra isso, não é exigido, e enquanto a Galabeya é apenas pertence uma parte do shaabi e não todo.

    Muitas informações, absurdos até coisas a gente ver em blogs e sites, o ensino é limitado enquanto o investimento é grande.
Minhas publicações nunca foram como é no ocidente, mas como é para nós e isso que vocês buscam, como está sendo usado em festivais, concursos etc, a questão não é essa.
Espero que esteja esclarecido a quem tiveram as dúvidas sobre o street shaabi, leiam a matéria na página também.
Abraços!!!
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