Curiosidades Egípcias





PAPIROS

O papiro é um tipo de papel feito a partir da planta do papiro (Cyperus papyrus - a planta daninha mais difundida no mundo).

A planta do papiro é considerada sagrada e fartamente encontrada no Delta do Nilo.



O talo do papiro pode atingir até 6 metros de comprimento. A flor da planta, composta de finas hastes verdes, lembra os raios do sol e é exatamente por ter esta analogia com o sol, divindade máxima desse povo, que o papiro era considerado sagrado. O miolo do talo era transformado em papiros e a casca, bem resistente depois de seca, utilizada na confecção de cestos, camas e até barcos.

Acredita-se que a técnica dos papiros foi desenvolvida pelos egípcios desde 4000 a.C.

Como se faz papiro
Para confeccionar o papiro, corta-se o miolo esbranquiçado e poroso do talo em finas lâminas. Depois de secas, estas lâminas são mergulhadas em água com vinagre para ali permanecerem por seis dias, com propósito de eliminar o açúcar. Outra vez secas, as lâminas são ajeitadas em fileiras
horizontais e verticais, sobrepostas umas às outras. A seqüência do processo exige que as lâminas sejam colocadas entre dois pedaços de tecido de algodão, por cima e por baixo, sendo então mantidas prensadas por seis dias. E é com o peso da prensa que as finas lâminas se misturam homogeneamente para formar o papel amarelado, pronto para ser usado. O papel pronto era, então, enrolado a uma vareta de madeira ou marfim para criar o rolo que seria usado n

a escrita.


O VÉU
Mulheres simbolizam a paixão, homens a razão. Eva era a mulher sedutora, e todos os sistemas patriarcais através das eras tem se inclinado a tomar todas as mulheres como tal.


A história de Adão e Eva aparece no Judaísmo como demonstração de que a mulher é pecadora e seu pecado é o sexo. A história afirma a separação do corpo e da alma, a qual o Cristianismo abraçou e exagerou por representar Cristo como um homem sagrado, nascido de uma mulher que havia concebido assexuadamente. Cristo era tão casto que foi desprovido das mulheres e da expressão sexual.

Esta pedra fundamental da crença Judaico-Cristã separou os seres humanos deles mesmos, opondo-se a convicção humanitária da bondade essencial do corpo, herdada das antigas religiões egípcia e greco-romana, uma crença em que a realidade física do aqui e agora era para ser desprezada em pró dos sonhos de outro mundo de infinita e sutil espiritualidade.


Deus havia criado o homem de acordo com sua própria imagem e semelhança. Deus era espírito. Mas mulheres eram carne ou corpo, e o corpo era um animal dominado por paixão, sexualidade e desejo. Homens personificavam os céus, e uma mulher nunca seria inteira antes de se casar com um homem.


No século XIII Tomás de Aquino e Alberto Magno haviam promulgado sua crença de que mulheres eram capazes de travar relações com satã. Nessas bases, a Inquisição identificou a condenou certas mulheres a serem queimadas vivas. A submissão espiritual feminina foi então consumada e era agora completa.


Homens, por outro lado, permitiram a si mesmos completa liberdade sexual sob o sistema patriarcal. A prostituição cresceu rapidamente, e grande parte da renda da Igreja Católica vinda dos bordéis; a reforma de Martinho Lutero foi de certa forma uma tentativa de acabar com esta hipocrisia.


Para o mundo muçulmano, isto impôs segregação e o véu sob as mulheres, a alegação de que não eram dignas de confiança e deveriam ser mantidas a certa distância dos homens, aos quais não poderiam ajudar, mas apenas seduzir.


SERPENTE
Serpente é uma palavra de origem do latim que é normalmente substituída por "cobra" especificamente no contexto mítico, com a finalidade de distinguir tais criaturas do campo da biologia.


A serpente é um antigo deus da sabedoria no Médio Oriente e na região do mar Egeu, sendo, intuitivamente, um símbolo telúrico. No Egito, Rá e Aton ("aquele que termina ou aperfeiçoa") eram o mesmo deus. Aton o "oposto a Rá", foi associado com os animais da terra, incluindo a serpente.


Embora seja usada como símbolo de regeneração e imortalidade, a serpente, quando formando um anel com a cauda em sua boca (ouroboros), é também um claro símbolo da unidade em tudo e todos, a totalidade da existência.




O TESOURO DE TUTANKHAMON


Em Novembro de 1922 foi descoberto o túmulo de Tutankhamon, resultado dos esforços de Howard Carter e do seu mecenas, o aristocrata Lord Carnarvon.

O túmulo encontrava-se inviolado, com exceção da antecâmara onde os ladrões penetraram por duas vezes, talvez pouco tempo depois do funeral do rei, mas por razões pouco claras, ficaram-se por ali.
    

A câmara funerária foi aberta de forma oficial no dia 18 de Fevereiro de 1923. Estava preenchida por quatro capelas em madeira dourada (espécie de caixas do tamanho de um pequeno quarto), encaixadas umas nas outras, que protegiam um sarcófago em quartzito de forma retangular, seguindo a tradição da forma dos sarcófagos da XVIII dinastia. Em cada um dos cantos do sarcófago estão representadas as deusas Ísis, Néftis, Neit e Selket. Dentro do sarcófago encontravam-se três caixões antropomórficos, encontrando-se a múmia no último destes caixões; sobre a face a múmia tinha a famosa máscara funerária. Decorados com os símbolos da realeza (a cobra e o abutre, símbolos do Alto e do Baixo Egito, a barba postiça retangular e cetros reais), o peso dos três caixões totalizava 1375 quilos, sendo o terceiro caixão feito de ouro.

Na câmara funerária foram colocadas também três ânforas, estudadas em 2004 e 2005 por arqueólogos espanhóis coordenados por Rosa Lamuela-Raventós. Os estudos revelaram que a ânfora junto à cabeça continha vinho tinto, a colocada do lado direito do corpo continha (variedade de vinho tinto mais doce) e a terceira, junto aos pés, continha vinho branco. Esta pesquisa revelou-se importante pois mostrou que os egípcios fabricavam vinho branco, mil e quinhentos anos antes do que se pensava.Na câmara do tesouro estava uma estátua de Anúbis, várias jóias, roupas e uma capela, de novo em madeira dourada, onde foram colocados os vasos canópicos do rei. Neste local foram achadas duas pequenas múmias correspondentes a dois fetos do sexo feminino, que se julgam serem as filhas do rei, nascidas de forma prematura.Embora os objetos encontrados no túmulo não tenham lançado luz sobre a enigmática vida de Tutankhamon, revelaram-se bastante importantes para um melhor entendimento das práticas funerárias e da arte egípcia.

Em torno da abertura do túmulo e de acontecimentos posteriores gerou-se uma lenda relacionada com uma suposta "maldição", lançada por Tutankhamon contra aqueles que perturbaram o seu descanso eterno. O mecenas de Carter, Lord Carnarvon, faleceu a de Abril de 1923, não tendo por isso tido a possibilidade de ver a múmia e o sarcófago de Tutankhamon. No momento da sua morte ocorreu na capital egípcia uma falha elétrica sem explicação e a cadela do lorde teria uivado e caído morta no mesmo
momento na Inglaterra. Nos meses seguintes morreriam um meio-irmão do lorde, a sua enfermeira, o médico que fizera as radiografias e outros visitantes do túmulo. Para além disso, no dia em que o túmulo foi aberto de forma oficial o canário de Carter foi engolido por uma serpente, animal que se acreditava proteger os faraós dos seus inimigos. Os jornais da época fizeram eco destes fatos e contribuíram de forma sensacionalista para lançar no público a idéia de uma maldição. Curiosamente, Howard Carter, descobridor do túmulo, viveu ainda durante mais treze anos.

O Tesouro de Tutankhamon encontra-se hoje no Museu do Cairo. Ele é uma das grandes atrações no museu, havendo um setor inteiro somente para abrigar e exibir tudo o que foi encontrado.


ÍSIS



Ísis era uma deusa da mitologia egípcia. Foi a mulher de Osíris e era filha do deus da terra, Geb, e da deusa do céu, Nut. Era ainda mãe de Hórus e cunhada de Seth. Segundo a lenda, Ísis ajudou a procurar o corpo de Osíris, que tinha sido despedaçado por seu irmão, Seth. Ísis, a deusa do amor e da mágica, tornou-se a deusa-mãe do Egito.


Quando Osíris, seu irmão e marido, herdou o poder no Egito, ela trabalhou junto com ele para civilizar o o Vale do Nilo, ensinando a costurar e a curar os doentes e introduzindo o conceito do casamento. Ela conhecia uma felicidade perfeita e governava as duas terras, o Alto e o Baixo Egito, com sabedoria enquanto Osíris viajava pelo mundo difundindo a civilização.

Até que Seth, irmão de Osíris, o convidou para um banquete. Tratava-se uma cilada, pois Seth estava decidido a assassinar o rei para ocupar o seu lugar. Seth apresentou um caixão de proporções excepcionais, assegurando que recompensaria generosamente quem nele coubesse. Imprudente, Osíris aceitou o desafio, permitindo que Seth e os seus acólitos pregassem a tampa e o tornassem escravo da morte.

Cometido o crime, Seth, que cobiçava ocupar o trono de seu irmão, lança a urna ao Nilo (há também uma versão que diz que Ísis ao saber o que havia ocorrido chorou profundamente e de suas lágrimas surgiu o rio Nilo), para que o rio a conduzisse até ao mar, onde se perderia. Este incidente aconteceu no décimo sétimo dia do mês Athyr, quando o Sol se encontra sob o signo de Escorpião.


Quando Ísis descobriu o ocorrido, afastou todo o desespero que a assombrava e resolveu procurar o seu marido, a fim de lhe restituir o sopro da vida. Assim, cortou uma madeixa do seu cabelo, estigma da sua desolação, e o escondeu sob as roupas peregrinando por todo o Egito, na busca do seu amado.

Por sua vez, e após a urna atingir finalmente uma praia, perto da Babilônia, na costa do Líbano, enlaçando-se nas raízes de um jovem pé de tamarindo, e com o seu crescimento, a urna ascendeu pelo mesmo se prendendo no interior do seu tronco, fazendo a árvore alcançar o clímax da sua beleza, que atraiu a atenção do rei desse país, que ordenou ao seu séquito que o tamarindo fosse derrubado, com o propósito de ser utilizado como pilar na sua casa.



Enquanto isso, Ísis prosseguia na sua busca pelo cadáver de seu marido, e ao escutar as histórias sobre esta árvore, tomou de imediato a resolução de ir à Babilônia, na esperança de ultimar enfim e com sucesso a sua odisséia. Ao chegar ao seu destino, Ísis sentou-se perto de um poço, ostentando um disfarce humilde e brindou os transeuntes que por ela passavam com um rosto lindo e cheio de lágrimas.

Tal era a sua beleza e sua triste condição que logo se espalharam boatos que chegaram ao rei da Babilônia, que, intrigado, a chamou para conhecer o motivo de seu desespero. Quando Ísis estava diante do monarca solicitou que permitisse que ela entrelaçasse os seus cabelos. Uma vez que o regente, ficou perplexo pela sua beleza, não se importou com isso, assim Ísis incensou as tranças que espalharam o perfume exalado por seu corpo, fazendo a rainha da Babilônia ficar enfeitiçada pelo irresistível aroma que seus cabelos emanavam. Literalmente inebriada por tão doce perfume dos céus, a rainha ordenou então a Ísis que a acompanhasse.

Assim, a deusa conseguiu entrar na parte íntima do palácio do rei da Babilônia, e conquistou o privilégio de tornar-se a ama do filho recém-nascido do casal régio, a quem amamentava com seu dedo, pois era proibido a Isis ceder um dos seios, o leite de Ísis prejudicaria a criança.


Se apegando à criança, Ísis desejou conceder-lhe a imortalidade, para isso, todas as noites, a queimou, no fogo divino para que as suas partes mortais ardessem no esquecimento. Certa noite, durante o ritual, ela tomou a forma de uma andorinha, a fim de cantar as suas lamentações.



Maravilhada, a rainha seguiu a melopéia que escutava, entrando no quarto do filho, onde se deparou com um ritual aparentemente hediondo. De forma a tranqüilizá-la, Ísis revelou-lhe a sua verdadeira identidade, e terminou o ritual, mesmo sabendo que dessa forma estaria a privar o pequeno príncipe da imortalidade que tanto desejava oferecer-lhe.


Observando que a rainha a contemplava, Ísis aventurou-se a confidenciar-lhe o incidente que a fez visitar a Babilônia, conquistando assim a confiança e benevolência da rainha, que prontamente lhe cedeu a urna que continha os restos mortais de seu marido. Dominada por uma imensa felicidade, Ísis apressou-se a retirá-la do interior do pilar.


Porém, o fez de forma tão brusca, que os escombros atingiram, mortalmente, o pequeno príncipe. Outras versões desta lenda, afirma que a rainha expulsou Ísis, ao ver o ritual, no qual ela retirou a urna do pilar, sem o consentimento dos seus donos.



Com a urna, Ísis regressou ao Egito, onde a abriu, ocultando-a, nas margens do Delta. Numa noite, quando Ísis a deixou sem vigilância, Seth descobriu-a e apoderou-se, uma vez mais dela, com o intento de retirar do seu interior o corpo do irmão e cortá-lo em 14 pedaços e os arremessando ao Nilo.


Ao tomar conhecimento do ocorrido, Ísis reuniu-se com a sua irmã Néftis, que também não tolerava a conduta de Seth, embora este fosse seu marido, e, juntas, recuperaram todos os fragmentos do cadáver de Osíris, à exceção, segundo Plutarco, escritor grego, do seu sexo, que fora comido por um peixe.


Novamente existe uma controvérsia, uma vez que outras fontes egípcias afirmam que todo o corpo foi recuperado. Em seguida, Ísis organizou uma vigília fúnebre, na qual suspirou ao cadáver reconstituído do marido: “Eu sou a tua irmã bem amada.

Não te afastes de mim, clamo por ti! Não ouves a minha voz? Venho ao teu encontro e, de ti, nada me separará!” Durante horas, Ísis e Néftis, com o corpo purificado, inteiramente depiladas, com perucas perfumadas e boca purificada por natrão (carbonato de soda), pronunciaram encantamentos numa câmara funerária, impregnada por incenso.

A deusa invocou então todos os templos e todas as cidades do país, para que estes se juntassem à sua dor e fizessem a alma de Osíris retornar do Além. Uma vez que todos os seus esforços revelavam-se vãos, Ísis assumiu então a forma de um falcão, cujo esvoaçar restituiu o sopro de vida ao defunto, oferecendo-lhe o apanágio da ressurreição.

Ísis em seguida amou Osíris, mantendo o vivo por magia, tempo suficiente para que este a engravidasse. Outras fontes garantem que Osíris e a sua esposa conceberam o seu filho, antes do deus ser assassinado. Após isso ela ajudou a embalsamá-lo, preparando Osíris para a viagem até seu novo reino na terra dos mortos, tendo assim ajudado a criar os rituais egípcios de enterro.


Ao retornar à terra, Ísis encontrava-se agora grávida do filho, concebendo assim Hórus, filho da vida e da morte. a quem protegeria até que este achasse-se capaz de enfrentar o seu tio, apoderando-se (como legítimo herdeiro) do trono que Seth havia usurpado.

Alguns contos declaram que Ísis, algum tempo antes do parto, Seth à aprisionara, mas que Toth, vizir de Osíris, a auxiliara a libertar-se. Porém, muitos concordam que ela ocultou-se, secretamente, no Delta, onde se preparou para o nascimento do filho, o deus-falcão Hórus. Quando este nasceu, Ísis tomou a decisão de dedicar-se inteiramente à árdua incumbência de velar por ele. Todavia, a necessidade de ir procurar alimentos, acabou deixando o pequeno deus sem qualquer proteção. Numa dessas ocasiões, Seth transformou-se numa serpente, visando espalhar o seu veneno pelo corpo de Hórus, quando Ísis regressou encontrou o seu filho já próximo da morte.


Entretanto, a sua vida não foi ceifada, devido a um poderoso feitiço executado pelo deus-sol, Ra.

Ela manteve Hórus em segredo até que ele pudesse buscar vingança em uma longa batalha que significou o fim de Seth. A mágica de Ísis foi fundamental para ajudar a conseguir um julgamento favorável para Osíris. Suas habilidades mágicas melhoraram muito quando ela tirou proveito da velhice de Rá para enganá-lo, fazendo-o revelar seu nome e, assim, dando a ela acesso a um pouco de seu poder. Com freqüência, ela é retratada amamentando o filho Hórus.


Ísis sob a forma de serpente se ergue na fronte do rei para destruir os inimigos da Luz, e sob a forma da estrela Sótis anuncia e desencadeia as cheias do Nilo.



Mercado dos Escravos 

O mercado de escravos sempre foi um negócio próspero no Oriente Médio e nos arredores do Mediterrâneo desde os tempos da Mesopotâmia, duzentos anos antes de Cristo.

Meninos e meninas capturados em guerras ou pagos como tributo por seus pais ou governadores locais, eram disponibilizados para compra no mercado aberto, presente em todas as grandes cidades. Alexandria e Cairo serviam como importantes entrepostos comerciais.

Muitos viajantes ilustres e escritores ficaram fascinados pelo mercado de escravos. Dentro de um período de 10 anos ouviram-se muitas descrições acerca deles.

"Um de seus maiores atrativos era o cabelo; arrumado em tranças enormes, era também completamente saturado com manteiga que descia por seus ombros e seios...isto estava na moda pois deixava seus cabelos com mais brilho e suas faces deslumbrantes. Os comerciantes estavam dispostos a despi-las: eles mantinham suas bocas abertas para que eu pudesse examinar seus dentes e faziam-nas desfilar e apontavam acima de tudo para a elasticidade de seus seios. Estas pobres meninas respondiam da forma mais tranqüila, e a cena não era nem ao menos dolorosa, para a maioria delas que explodiam num riso incontrolável." (Gérard de Nerval, Voyage en Orient-1843/51)

Jovens meninas de extraordinária beleza, trazidas do mercado eram enviadas para a corte do sultão, muitas vezes como presente de seus governadores.

Entre os singulares e estáveis privilégios da sultana valide (mãe do sultão), estava o direito de presentear seu filho com uma menina escrava em uma data comemorativa chamada "O dia do sacrifício" que acontecia uma vez a cada ano.

As meninas eram todas não-muçulmanas desenraizadas desde tenra idade. Os sultões eram fiéis às belas mulheres com olhos de corça da região do Caucaso. Elas eram orgulhosas montanhesas; acreditavam ser descendentes das amazonas, mulheres que viveram próximas ao Mar Negro em tempos ancestrais. Agora eram seqüestradas ou vendidas por pais empobrecidos. O preço a ser pago por uma escrava era algo em torno de 1000-2000 "kuruch". Naquela época (1790) o preço de venda de um cavalo era 5000 "kurush".


A promessa de uma vida luxuosa e calma superava os escrúpulos paternos contra a entrega de suas filhas ao concubinato. Muitas famílias encorajavam suas filhas para entrar nessa vida de bom grado.


Odaliscas - Escravas do Herem




Antes de admitir as escravas dentro do harém, eunucos especialmente preparados examinavam-nas cuidadosamente procurando quaisquer defeitos físicos ou imperfeições. Se uma menina era considerada satisfatória o chefe eunuco a apresentava para a mãe do sultão que seria a responsável pela aprovação final.

Uma vez confinada ao harém seu nome cristão era trocado por um nome persa que enaltecesse suas qualidades individuais. Se por exemplo, uma jovem possuísse bochechas rosadas dariam a ela o nome de "Rosa Primaveril". Sendo agora uma odalisca era imediatamente convertida ao islamismo e iniciava um árduo treino, versando sobre as etiquetas palacianas e a cultura islâmica.
A palavra "Odalisca" vem de oda (sala) e significa literalmente "mulher de sala" insinuando o status de criada. Odaliscas de extraordinária beleza e talento eram preparadas para se tornar concubinas aprendendo a dançar, recitar poesias, tocar instrumentos musicais e controlar as artes eróticas.


Onze das mais atraentes odaliscas eram selecionadas como "gedikli"- empregadas em espera - exclusivamente para o sultão eram responsáveis para vesti-lo e banhá-lo, cuidavam de suas roupas e serviam-lhe a comida e o café. Consta que essas meninas também aprendiam a ler, escrever e a desenvolver outras habilidades tais como: costurar, bordar, tocar harpa e cantar. Sendo do agrado do sultão permaneciam a serviço do mesmo ou em última instância poderiam ser oferecidas como presente a alguém se ele assim o desejasse.

Uma das maiores honras que o sultão poderia conceder a um de seus pashás era presenteá-lo com uma odalisca que tivesse adornado seu palácio mas que não tivesse ainda se tornado sua concubina. De acordo com os preceitos vigentes o pashá tinha que libertar a menina e fazer dela sua esposa. Seus nobres encantos, tanto quanto suas importantes conexões dentro do harém, faziam destas mulheres uma jóia a ser almejada.

Outras odaliscas eram colocadas para servir a mãe do sultão, ou as "kadins"(esposas) e ainda os eunucos . Meninas abençoadas por físico forte se tornavam criadas ou administradoras. Cada noviça era designada para um departamento do harém. Estes "gabinetes ministeriais" incluíam a senhora dos mantos, a guardiã dos banhos, guardiã das jóias, leitora do alcorão, senhora dos alimentos etc. Era possível para uma odalisca crescer hierarquicamente dentro do harém imperial, mas se de qualquer forma, faltasse a ela talento ou manifestasse em algum momento qualidades indesejáveis, ela também corria o risco de ser banida do palácio e revendida no mercado de escravas.


Comidas Egípcias nos antigos Egípcios 

A carne sempre foi consumida em quantidade, principalmente a do boi. O assim chamado boi africano é um animal com chifres avantajados, de grandes proporções e rápido no caminhar. Esse animal era submetido a um regime de engorda que o tornava enorme e pesado, até o ponto de ficar impossibilitado de andar. Só então estava pronto para o abate. Ao que parece, a carne era servida geralmente cozida, provavelmente em molho, mas havia alguns tipos de carne que eram assadas no espeto. Entretanto, a carne era uma comida de luxo para a maioria das pessoas, que talvez só a consumissem em ocasiões especiais como, por exemplo, nos banquetes funerários. Pedaços de carne são representados freqüentemente nos túmulos em estelas, ou compondo o conjunto de produtos dispostos nas mesas de oferendas como eterno alimento para o falecido.


Uma vez que a galinha só foi introduzida no Egito tardiamente, criava-se e consumia-se outros tipos de aves em grande escala. Em papiros que registram donativos aos templos, as quantidades de aves citadas são impressionantes. Um deles menciona 126 mil e duzentas aves, dentre as quais 57 mil e oitocentos e dez pombos. A caça, portanto, era uma atividade bastante cultivada pelos egípcios. Os galináceos eram consumidos grelhados, de preferência. Entretanto, Heródoto nos conta — e os documentos confirmam a informação — que os egípcios comiam crus as codornizes, os patos e alguns pequenos pássaros que tinham o cuidado de salgar antes. Todos os pássaros restantes eram comidos assados ou cozidos. As aves aquáticas eram abertas e postas a secar. Os templos as recebiam vivas, secas ou ainda preparadas para consumo a curto prazo.


Embora em algumas localidades egípcias fosse proibido consumir certas espécies de peixe em datas específicas, a maior parte da população comia peixe normalmente. Por sua vez, os habitantes da região do Delta e os que moravam às margens do lago Fayum eram pescadores por profissão. Quanto aos peixes, Heródoto informa que alguns eram comidos crus e secos ao sol ou postos em salmoura. Entretanto, várias outras espécies eram comidas assadas ou cozidas. Uma vez pescados, os peixes eram estendidos no solo, abertos e postos a secar. Visando a preparação do escabeche, eram separadas as ovas dos mugens. Mais uma vez um papiro cita a quantidade de peixes doados a três templos: 441 mil. Os templos recebiam não apenas peixes frescos, mas também secos. Como se vê, a pesca era outra atividade importante.

Rabanetes, cebolas e alhos fazem parte da dieta egípcia, sendo que estes últimos eram muito apreciados. Melancias, melões e pepinos aparecem representados com freqüência nas pinturas dos túmulos, sendo que neles os arqueólogos também encontraram favas, ervilhas e grãos de bico. Nas hortas domésticas cultivava-se a alface, a qual os egípcios acreditavam que tornava os homens apaixonados e as mulheres fecundas e, assim, consumiam-na em grande quantidade, crua e temperada com sal e azeite. Min, o deus da fecundidade, tem às vezes sua estátua erguida no meio de um quadrado de alfaces, sua verdura preferida. Seth, segundo nos conta a lenda, era outro deus apreciador de alface.

Com relação aos frutos, consumiam uvas, figos e tâmaras, sendo que estas últimas também eram empregadas em medicamentos. A romeira, a oliveira e a macieira foram introduzidas no Egito somente por volta de 1640 a.C. O azeite era utilizado não apenas na alimentação, mas também para iluminação. Frutos como laranjas, limões, bananas, peras, pêssegos e cerejas não eram conhecidos dos antigos egípcios, sendo que os três últimos só passaram a ser consumidos na época romana. Nesse capítulo os mais pobres muitas vezes só podiam mascar o interior dos caules de papiros, a exemplo do que fazemos hoje com a cana de açúcar.

O leite era recolhido em vasos ovais de cerâmica tampados com um punhado de ervas, evitando-se fechar totalmente a abertura, para afastar os insetos do líquido. O sal era utilizado na cozinha e em medicamentos. O papel do açúcar era desempenhado pelo mel e pelos grãos de alfarroba. Embora o mel e a cera de abelha fossem buscados no deserto por homens especializados nesse ofício, também havia criação de abelhas no exterior das residências. Para a formação das colméias colocavam-se jarras de cerâmica e os apicultores caminhavam sem proteção por entre os insetos, afastando-os com as mãos nuas para recolher os favos. O mel era mantido em grandes tigelas de pedra, seladas. Em suas iguarias os egípcios empregavam ainda manteiga ou nata e gordura de pato ou de vitelo.

Pães e bolos eram preparados nas casas das pessoas ricas e também nos templos, o que incluía a moagem dos grãos. É possível, entretanto, que moleiros e padeiros independentes trabalhassem para atender as pessoas humildes. A panificação era um trabalho conjunto de homens e mulheres. Na figura ao lado vemos uma serva carregando uma oferenda de pão e carne. A peça, cuja altura é de 38 centímetros, foi datada como sendo da XII dinastia (1991 a 1783 a.C.).

A bebida número um dos egípcios era a cerveja, consumida em todo o país, tanto nas cidades como nos campos. Era feita com cevada ou trigo e tâmaras e sorvida em taças de pedra, faiança ou metal, de preferência em curto espaço de tempo, pois azedava com facilidade. O vinho, sem dúvida, ficava em segundo lugar na preferência etílica dos egípcios, havendo grande comércio do produto. Eles apreciavam o vinho doce, de uma doçura que ultrapassasse a do mel.

Os egípcios alimentavam-se sentados, a sós ou acompanhados, diante de uma mesinha sobre a qual eram postas as provisões. Os rapazes sentavam-se sobre almofadas ou esteiras. Pela manhã não havia a reunião da família para a refeição. O marido e a esposa eram servidos em separado. Ele, tão logo se aprontara e ela ainda quando a penteavam ou logo após. Pão, cerveja, uma coxa de galináceo e um bolo era um bom repasto para o esposo.

ratos, terrinas, travessas, cálices, facas, colheres e garfos, o que abre a possibilidade para o consumo de sopas, purês, pratos guarnecidos acompanhados de molho, compotas e cremes. As baixelas dos ricos eram de pedra: granito, xisto, alabastro e uma certa espécie de mármore. As taças de formato pequeno eram de cristal. Por outro lado, o material pictórico deixado pelos egípcios mostra que, à mesa, eles se serviam muito dos dedos (comia-se com as mãos).

(um site bem interessante com informações preciosas sobre a vida no Antigo Egito)


TENDA NO DESERTO

A tenda tem sido a residência para o homem desde a aurora da história. Variando em características geográficas e diferenças culturais essas habitações diferem em design mas mantém suas qualidades essenciais inalteradas. Uma tenda tem que ser flexível, e suficientemente leve para ser facilmente transportada.

Os beduínos do deserto usam tendas negras conhecidas por(casa do cabelo). Essas tendas são tecidas através dos pelos de ovelhas e cabras domesticadas, e imagina-se que suas formas tenham origem na Mesopotâmia. O pêlo dos animais é trançado em tiras grosseiras de tecido conhecidas como que são então costuradas juntas. A cor natural do animal é retida – geralmente se usa pêlo negro de cabra, ocasionalmente há a adição de lã de carneiro, que dá a tenda uma aparência listrada em marrom e negro.


O tamanho da tenda depende da importância de seu proprietário, ou o tamanho de sua família.





Uma família média usaria uma tenda feita de tiras estreitas, cada uma de sete metros e meio de comprimento, sustentada por duas traves de sustentação. Uma pessoa importante como um sheikh de tribo por exemplo., poderia ter uma habitação mais imponente, feita de tiras largas de tecido, seis tiras por exemplo, cada uma com 20 metros de comprimento e sustentada por quatro traves no lugar de duas. Qualquer coisa maior do que isso não seria fácil de transportar e portanto dispensável.


Quando as tiras de tecido são costuradas juntas, elas se transformam num longo retângulo. Este é então elevado e apoiado sobre as traves de tenda , conhecidas por com cordas especiais que são usadas para manter os lados da tenda esticados. Uma cortina muito decorada, ou é pendurada dentro da tenda de lado a lado no meio do espaço interno para dividir o espaço dos homens do das mulheres. A área das mulheres é sempre maior que a dos homens e nunca é vista por nenhum homem a não ser o proprietário da tenda. Ruag ou a porta da tenda, são longos pedaços de tecido atados aos lados da habitação. Estes são pendurados como uma cortina na parte de trás da tenda e são longos o suficiente para envolver toda a tenda e cercá-la durante a noite.

A vida útil do tecido da tenda é de cerca de seis anos, com partes sendo adicionadas e renovadas periodicamente, de acordo com seu tempo de uso. A fiação dos pêlos da cabra é feita pelas mulheres da tribo, num simples carretel em forma de gota chamado Esse cordão é então tecido em um tear manual e horizontal que fica no chãoele é portátil e pode ser facilmente dobrável quando é chegada a hora da tribo se mudar. Uma medida muito antiga é usada para nortear o tamanho das tiras de tecido fabricadas nesse tear e elas sempre obedecem ao mesmo padrão de largura. Esta medida é baseada no comprimento do antebraço



O processo de cerzir as tiras de tecido é deixado a cargo das mulheres da tribo, e é sempre motivo de celebração. A costura é um trabalho que requer muita habilidade pois as costuras devem ser fortes e duráveis. Uma linha feita de pêlo de cabra é usada para esta tarefa.





O material da tenda é tecido com pontos soltos pois há necessidade de dispersar o calor através dele. Apesar da cor preta absorver o calor geralmente dentro da tenda a temperatura interna fica entre 10 e 15 graus abaixo da temperatura externa. A tenda oferece sombra do sol quente e isolamento nas frias noites do deserto. Durante a chuva os fios incham e dessa forma fecham os buracos na fiação prevenindo goteiras. O pêlo de cabra é naturalmente oleoso, o que traz adicionalmente um efeito a mais repelindo as gotas de chuva, e os ocupantes da tenda podem permanecer razoavelmente secos.





A forma achatada do teto das tendas é aerodinamicamente desenhada para que não seja facilmente soprado para longe por repentinas rajadas de vento ou por períodos prolongados com ventanias que são lugar comum no deserto, A excepcional resistência do cânhamo usado nas traves de sustentação das tendas também ajuda conta o impacto do vento e as cordas agem absorvendo o choque.

É o cabeça da família que define e dirige onde a tenda será montada quando da chegada a um lugar novo de acampamento mas o trabalho é executado principalmente pelas mulheres da tribo. O homem escolhe um ponto adequado para a fixação da residência e então a tenda é desenrolada e levantada de forma que um de seus lados fique na direção do vento e a área dos homens fique situada no lado oriental e voltada para Meca,


Os móveis que utiliza-se numa casa como esta são muito simples, consistindo de tapetes e colchões espalhados pelo chão, com travesseiros colocados em ambos os lados das selas dos camelos do dono do lugar de forma que ao receber convidados ele tenha um lugar confortável para oferecer a estes, como um sofá improvisado. Redes podem ser estendidas entre as traves da tenda, A área das mulheres guarda a comida, os utensílios de cozinha e carretéis para fiação assim como as liteiras de camelo onde as mulheres costumam viajar.

Marco Pólo uma vez descreveu uma tensa usada por numa viagem de caça. Suas cordas eram feitas de seda e era forrada com peles e revestida com peles de leões. O interior era grande o bastante para acomodar 10000 soldados e seus oficiais. Impressionante de fato, e diametralmente oposta ao modelo humilde utilizado pelo povo beduíno. Mas pela praticidade, durabilidade e tradição, a “casa de cabelo”é até hoje a mais atraente e perfeita opção para a vida beduína provada por séculos e séculos de uso.


pesquisas em livros ( Egypt- Uper Egypt - Lower Egypt - the treasure of Tutankhamun ).